Por Emerson de Moura Cavalheiro
O exercício da liderança religiosa requer reflexões contínuas sobre o cuidado com o outro, em diversas esferas. A escuta, a mão amiga, a palavra de orientação, dentre outras atividades e habilidades esperadas para essa função, são pautas trazidas com constância, cada vez que se pensa em formas e fórmulas para que um líder seja bem-sucedido.
No entanto, é preciso parar para refletir sobre o cuidado para com a pessoa do líder, do Pastor, do homem e da mulher de Deus. Quem cuida dele? Quem cuida dela? Aliás, e sobre o autocuidado? Aquela capacidade de olhar para dentro de si e reconhecer que, a despeito do chamado, da vocação e do dom de Deus, há um ser humano, com uma história, personalidade, feridas, traumas, alegrias e tristezas, perdas e ganhos, enfim, uma lista enorme, que fica cada vez maior, na medida em que coisas vão sendo elencadas.
Muitas vezes, o líder é encarado como alguém forte, preparado para aconselhar, acolher e oferecer palavras de esperança nos momentos mais difíceis. Porém, por detrás dessa imagem de fortaleza, existe um ser humano que enfrenta preocupações, cansaço, frustrações, conflitos e momentos de fragilidade.
Outras vezes, o próprio líder se coloca nesse lugar de fortaleza, como sendo aquele que precisa dar conta de tudo e de todos, sem encontrar um lugar de acolhida, de amparo, um ombro onde possa falar de si ou, até mesmo, derramar suas lágrimas.
A responsabilidade de conduzir uma comunidade, atender pessoas, preparar mensagens, administrar atividades e lidar com diferentes necessidades pode gerar uma sobrecarga emocional significativa. Hoje, fala-se muito do Burnout, essa síndrome caracterizada por uma profunda exaustão, podendo se manifestar, por meio de vários sintomas dolorosos, naqueles que trabalham diretamente com pessoas.
Quando o líder acredita que precisa estar disponível o tempo todo ou que demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza, pode acabar negligenciando suas próprias necessidades. Com o passar do tempo, isso pode contribuir para estresse, esgotamento, ansiedade, tristeza e até afastamento de suas atividades.
Reconhecer os próprios limites também é uma forma de sabedoria e responsabilidade. É importante estabelecer limites, praticar atividade física, reservar momentos de descanso e lazer, cultivar relacionamentos saudáveis, manter hábitos de vida equilibrados e, quando necessário, buscar acompanhamento de profissionais qualificados. Ter alguém de confiança para conversar e compartilhar sentimentos também pode fazer uma grande diferença.
Um líder emocionalmente saudável consegue exercer sua função com mais equilíbrio, empatia e clareza. Cuidar de si não é abandonar a missão, antes, é fortalecer-se para cumpri-la de maneira efetiva. A comunidade precisa de líderes que saibam servir, mas, também, que entendam que suas próprias vidas, emoções e saúde possuem valor. Afinal, ninguém consegue cuidar verdadeiramente dos outros, quando esquece de cuidar de si. Pense nisso!
Professor Mestre Emerson de Moura Cavalheiro
Coordenador Acadêmico do IBAD
Mestre em Desenvolvimento Humano
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental
Graduado e Licenciado em Psicologia
Formado em Teologia pelo IBAD
Membro do Corpo de Escritores das disciplinas do curso médio e avançado do IBAD