Assembleias de Deus no Brasil: origens, organização e desenvolvimento 

As Assembleias de Deus são hoje a maior denominação evangélica do Brasil. A igreja foi a segunda expressão...

Assembleias de Deus no Brasil: origens, organização e desenvolvimento 

As Assembleias de Deus são hoje a maior denominação evangélica do Brasil. A igreja foi a segunda expressão pentecostal a surgir no país, em junho de 1911, apenas dez meses depois da pioneira Congregação Cristã no Brasil. 

Atualmente, acredita-se ser muito difícil atravessar qualquer cidade brasileira sem encontrar ao menos uma Assembleia de Deus. Algumas delas se destacam por suas grandes construções, outras funcionam em pequenos templos ou salões improvisados. Já na década de 1960, o pesquisador William Read observava que a presença da denominação no território brasileiro era “universal”, comparando-a à época, à popularidade das máquinas de costura Singer e do guaraná. 

A fundação das Assembleias de Deus remonta a junho de 1911, em Belém do Pará, quando dois missionários suecos, Daniel Berg e Gunnar Vingren, chegaram ao Brasil após viverem alguns anos nos Estados Unidos. De origem batista, eles haviam entrado em contato com o pentecostalismo em Chicago e decidiram iniciar uma obra missionária em solo brasileiro. No início, integraram-se à Igreja Batista de Belém, mas sua ênfase na doutrina pentecostal — especialmente o batismo no Espírito Santo e a cura divina — gerou conflitos com a liderança local. O resultado foi a saída de um pequeno grupo de pouco menos de 20 pessoas, que deu origem à nova comunidade, inicialmente chamada Missão da Fé Apostólica e mais tarde conhecida como Assembleia de Deus. 

O crescimento da denominação está diretamente ligado aos fluxos migratórios no Brasil do século XX. Inicialmente, nordestinos que haviam trabalhado como seringueiros na Amazônia levaram a fé assembleiana de volta às suas cidades de origem. Mais tarde, durante os processos de industrialização e urbanização, os migrantes que se deslocavam para as grandes metrópoles do Sudeste também levaram consigo a denominação, contribuindo assim para sua expansão.  

Apesar da forte presença em todo o território nacional, as Assembleias de Deus possuem características que as diferenciam de outras denominações evangélicas. A principal delas é a diversidade interna. Ao contrário de funcionar como uma única instituição nacional, a igreja se organiza em vários grupos independentes, chamados de ministérios, cada um com seu próprio modo de funcionamento e liderança. Por isso, nos templos do país é comum encontrar o nome “Assembleia de Deus” seguido por uma identificação, como Ministério do BelémMinistério de MadureiraMinistério de Perus ou Ministério do Ipiranga, entre outros. Esses ministérios mantêm autonomia administrativa, mas compartilham a herança histórica e cultural da denominação. 

Assim, para se conhecer a história das Assembleias de Deus no Brasil é necessário estar atento aos fatores sociais que transformaram o ritmo de vida das populações brasileiras no decorrer do século XX, sobretudo das grandes levas de migrantes que se movimentavam entre diferentes regiões do país. Porém, de igual modo, é necessário compreender também a dinâmica interna de organização da igreja, que permitiu que no decorrer de sua história adquirisse uma característica singular: a Assembleia de Deus é uma igreja que cresce à medida que vai se dividindo internamente. 

Assim, os múltiplos ministérios assembleianos representam as diferentes formas como no decorrer de sua história a tradição assembleiana foi se adequando a diferentes espaços e localidades, dando origem a diferentes Assembleias de Deus. Cada ministério assumiu práticas e ênfases particulares, oferecendo diferentes formas de ser assembleiano e contribuindo assim para o crescimento da denominação.  

Referências:  

FAJARDO, Maxwell. Onde a luta se travar: uma história das Assembleias de Deus no Brasil. 2 ed. São Paulo: Recriar, 2019.  

READ, William R. Fermento religioso nas massas do Brasil. Campinas: Livraria Cristã Unida, 1967. 


Autor: Prof. Dr. Maxwell Pinheiro Fajardo
Professor da Faculdade Bíblica das Assembleias de Deus – FABAD

Possui graduação e licenciatura em História e Pedagogia. Possui Mestrado em Ciências da Religião e Doutorado em História. Atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado no Programa de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Tem experiência nas áreas de História e de Sociologia da Religião, com ênfase no estudo dos pentecostalismos brasileiros. 

Atua como professor na FABAD nas disciplinas de História da Teologia e História do Cristianismo Antigo e Medieval. 

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