A experiência da perda de alguém ou algo é frequente no cotidiano das pessoas. Diante de uma perda em que as pessoas têm vínculo afetivo, o luto é um tema presente. E quando abordamos o tema do aconselhamento pastoral diante da morte e de outros tipos de perda é indispensável tratarmos do tema do Cuidado. O Cuidado que encontramos na Bíblia está ligado a “tomar conta de”. “guardar” [ Sl 86.2; Sl 121. 3-4;7]. No Novo Testamento, podemos visualizar o termo cuidado ligado a “preocupar-se com” [2 Cor.11.28; I Cor 12.25; I Pe 3.12; I Pe 5.12]. O Cuidado não pode ser confundido com um fechar-se em si mesmo ou no outro. Ao contrário: é um abrir-se a si mesmo (cuidar de si) e ao outro (cuidar do outro). O Cuidado envolve ternura e misericórdia divinas [ Is 40.11; Is 49.13; Is 64.8; Is 66.13]. O aconselhamento pastoral é uma expressão do cuidado de Deus diante do luto.
O Aconselhamento Pastoral nos convida a estabelecer uma relação de ajuda dentro do clima da fé e da espiritualidade. O Aconselhamento Pastoral é caminhar junto com a pessoa oferecendo sinais de esperança em meio ao sofrimento. Portanto, o Aconselhamento Pastoral promove a vida por meio do diálogo fraterno que pode abrir caminhos para a ressignificação da vida em meio à desesperança.
O Aconselhamento Pastoral diante do luto tem como premissa o tema da perda. Portanto, falar em Aconselhamento Pastoral e luto é trazer à tona o vínculo com um tema específico da vida: como lidar com as perdas e suas conseqüências. Uma delas é o luto.
Mas o que é o luto? O luto é um processo desencadeado por uma perda. Por isso que ao falarmos de cuidado em meio às perdas, incluímos o luto. Os estudos que permeiam o tema do luto tocam também na busca do sentido da vida. Qualquer tipo de perda pode desencadear um processo do luto. Perda de emprego, amizade, objetos, animais, mudanças de casa.
Há uma íntima relação entre aconselhar e consolar. Em relação ao luto esse vínculo, torna-se ainda mais estreito porque o ato de consolar é essencial ao tratarmos o tema do luto. A importância do conhecimento do processo de luto, desencadeado na vida das pessoas é uma pauta indispensável nessa prática.
Além dos atributos delineados acima, o consolo evidentemente está vinculado às percepções das pessoas em relação ao luto e à morte. As condições que afetam o curso do luto são indispensáveis para percebermos a atuação de uma pessoa junto ao enlutado. Na teologia é indispensável incluir nessa discussão, o estudo da pneumatologia. Uma das funções do Paráclíto é o consolo. Pode-se afirmar que a presença consoladora do Espírito Santo, em muitos momentos, tem sido esvaziada e trocada pelas interpretações que não deixam espaço para elaboração do luto.
É importante perceber que o processo do consolo envolve uma rede de apoio que transcende o aconselhamento pastoral: igreja, amigos, família, profissionais. Além disso, a comunicação no processo de aconselhamento diante do luto é de vital importância.
Para um diálogo efetivo, é indispensável considerar uma atenção empática. Mas, o que é uma atenção empática. A atenção empática deve-se evitar julgamentos, exercitar a escuta e propiciar um espaço para que a pessoa possa falar de seu sofrimento.
Caminhos para o cuidado diante das perdas
1) Perceber como enfrentamos nossas perdas: nossos sentimentos, reações, decisões e mudanças;
2) Reafirmar a importância de uma espiritualidade em situações de perdas (oração, consolo, perdão, reconciliação);
3) Em caso de perda por morte, observar o tipo de morte ocorrido;
4) Preparar pessoas da igreja para oferecerem suporte para enlutados/as;
5) Criar grupos com pessoas enlutadas da igreja e comunidade;
6) Valorizar os momentos de transição de vida das pessoas na comunidade (infância, adolescência, adulto, idoso);
7) Acompanhar a família em todas as etapas do processo do luto.
Autora: Profa. Dra. Blanches de Paula
Professora da Faculdade Bíblica das Assembleias de Deus – FABAD
Possui graduação em Psicologia (1996), Teologia (1994) pela Universidade Metodista de São Paulo e Licenciatura em Filosofia pelo Centro Universitário Claretianos (2021). Mestrado e Doutorado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Especialização em Logoterapia com ênfase em educação – Sociedade Brasileira de Logoterapia (2014). Pós-doutorado em Teologia pela Candler School of Theology (Emory) – Atlanta, EUA (2016). Autora do livro Pedaços de Nós: Luto, aconselhamento pastoral e esperança e organizadora do livro Escuta Libertadora, além de vários artigos e capítulos de livros nas áreas de psicologia, ciências da religião, teologia, educação e
filosofia. Tem experiência na área de Ciências da Religião, Teologia e Psicologia, com ênfase em: religião e saúde, psicologia da religião, aconselhamento, morte, luto, cuidado, espiritualidade, educação e filosofia.