A Liderança e a Necessidade do Constante Preparo

Deus tem levantado homens e mulheres para o exercício da liderança na Sua Obra. Nas narrativas bíblicas, várias...

A Liderança e a Necessidade do Constante Preparo

Deus tem levantado homens e mulheres para o exercício da liderança na Sua Obra. Nas narrativas bíblicas, várias personagens se destacaram por terem feito a diferença durante o tempo para o qual foram chamados. O que dizer de Abraão, Moisés, Josué, Débora, Neemias, Ester, os apóstolos, tais como Paulo, por exemplo, além do modelo maior de liderança, Cristo Jesus.

 Liderar sempre foi e sempre será um desafio! Aqueles que têm trilhado pelas searas da liderança sabem bem que habilidades, competências e atitudes precisam ser desenvolvidas, exercitadas e que devem caminhar juntas, para que haja êxito à frente do trabalho do Senhor. Liderança é um ato contínuo de aprendizado e aprimoramento.

Não se deve liderar de qualquer maneira! Um líder despreparado é um desserviço para o trabalho do Mestre. Por outro lado, o líder que exerce a arte de liderar com zelo, esmero e dedicação, transforma o ambiente onde está, promove motivação, gera crescimento por todos os lados, além de inspirar outros à promoção séria e diligente da causa do amado Cristo.

No Reino de Deus, os trabalhos são muitos e, os trabalhadores, poucos. Jesus disse que os seus discípulos deveriam clamar ao Senhor da Seara para que ceifeiros fossem enviados a ela, afinal, essa seara é grande e o número de pessoas para trabalhar é pequeno (Mateus 9.38).

  O Eterno deseja que todas as pessoas sejam alcançadas. Todas são convidadas ao pertencimento, de modo que conheçam a Ele e vivam para a Sua glória. Nesse intuito, Ele chama, vocaciona e capacita os seus servos, a fim de que abracem as diferentes frentes de sua lavoura e edifício (I Coríntios 3.9). Há os que se sentem chamados para trabalhar com crianças, outros, adolescentes e jovens, outros, ainda, adultos e idosos. 

Ele chama professores, para que ensinem as verdades eternas, tanto por meio da vida, quanto por meio do conhecimento da Escritura e de outras áreas do saber humano; ele chama músicos e regentes; líderes de mulheres, de homens, do corpo de obreiros, assim como chama pastores, segundo o seu coração, para que pastoreiem com sabedoria, unção e graça (Jeremias 3.15).

Há vários pontos a considerar para que haja uma liderança exitosa, especialmente no que diz respeito à Igreja de Deus. Esses pontos estão ligados á vida espiritual do líder, bem como à sua formação, preparo e sensibilidade emocional, para lidar com as diferentes demandas. 

No tocante à vida espiritual, o obreiro e a obreira devem dedicar-se à oração constante e à leitura e meditação das Escrituras. Os líderes da Bíblia oravam; eles mantinham a estreita relação de intimidade com os céus, entendendo que a oração era o caminho do alinhamento para com a vontade do Pai. O Senhor Jesus passava horas em oração (Mateus 6; 11; 26; Lucas 22; 23; João 11; 12). O apóstolo Paulo estava sempre orando e incentivava a todos para que assim o fizessem (Efésios 1.3; 6.18; Filipenses 4; I Tessalonicenses 5.17).

A Bíblia Sagrada é a ferramenta de trabalho do líder. Ela é o manual, a bússola, a diretriz que governa a forma de pensar e a maneira correta de agir. Sem o bom uso e aplicação da Escritura, a liderança cristã vai à falência. Isso é tão sério que a recomendação de Paulo sempre foi clara e taxativa (II Timóteo 2.15; 3.16). “Persiste em ler”, recomendou ao jovem Timóteo (I Timóteo 4.13). No fim de sua carreira, fez questão de solicitar que os livros fossem trazidos, o que caracteriza seu compromisso com o preparo bíblico-teológico (II Timóteo 4.13).

Se o líder, portanto, deve estar bem capacitado espiritualmente para o enfrentamento das batalhas espirituais (Efésios 6), é salutar que ele também se esmere em buscar conhecer outras áreas do saber humano, para que tenha maior arsenal para o combate. As ciências estão dadas para que o Homem possa compreender mais sobre as realidades desta humanidade. O pastor, o líder que se apropria dos saberes da psicologia, da administração, da pedagogia, da sociologia, da filosofia e das diversas áreas, terá capacidade argumentativa ampliada e poderá levar seus liderados além, para níveis mais altaneiros. 

Por fim, é fundamental que todo líder cuide dos seus aspectos emocionais. O homem e a mulher de Deus, antes de cuidarem do outro, precisam olhar para si e perceberem-se, ver como andam suas emoções e sentimentos. A saúde emocional é um fator de grande peso para a liderança. O descaso nessa área tem trazido consequências funestas, tanto para a pessoa, especialmente, quanto para a sua família e comunidade.  Scazzero (2016, p. 21) afirma que: “quando falamos de líderes cristãos emocionalmente doentios, estamos nos referindo ao déficit emocional e espiritual que afeta cada aspecto da vida deles”.  

A verdade da afirmação acima precisa gerar consciência e conscientização, deve despertar o olhar para o entendimento de que é vital abraçar e acolher cada esfera da vida humana, afinal, líderes são humanos. Triste é pensar o contrário! É urgente, para muitos líderes, o ato de afirmar a própria humanidade, para que percebam a necessidade do autocuidado. 

No tocante à liderança, é verdade que há muita coisa escrita e falada, mas, certamente, ainda há muito a ser dito, há muita reflexão a ser feita. Que as linhas acima sejam provocantes para que, se carecido for, o líder pare, dê meia volta do caminho onde está, para uma rota mais saudável, que leve ao conhecimento de Deus, à relação íntima com Ele e à saúde emocional e nos relacionamentos. Que o Senhor dê estratégia, sabedoria e graça na arte de liderar!


Professor Mestre Emerson de Moura Cavalheiro

Coordenador Acadêmico do IBAD

Mestre em Desenvolvimento Humano, Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Graduado e Licenciado em Psicologia. Formado em Teologia pelo IBAD.

Citação

SCAZZERO, Peter. O Líder Emocionalmente Saudável: como a transformação de sua vida interior transformará sua igreja, sua equipe e o mundo. São Paulo: Hagnos, 2016.

Veja TAMBÉM